Escrito por Rafael Crispim às 02h13
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Holokhauz Celebra a Necessária Tolerância
A sensação que o espectador teve ao entrar o hall do Teatro Abílio Soares de Almeida foi de uma perturbação latente. Fotos em Preto e Branco coladas nas paredes remetiam a uma página perturbadora de nossa perversa Humanidade. Retratos de famílias inteiras. No som ambiente, Ravel. Uma cópia da certidão de casamento de Eva e Adolf Hitler soava como uma provocação, bem como as remissões aos símbolos daquele nebuloso período.
Vertigens, suásticas, memórias, dores. Todas as dores.
O público adentra ao teatro. Vêem uma cena de amor, como poderia ser uma cena de amor como tantas outras outrora vistas, salvo o fato de um ser soldado a serviço do Führer, e o outro um judeu condenado à asfixia na câmara de gás. Percebe-se um leve incômodo entre alguns espectadores. O diretor Eduardo Emídio é um artista de coragem ao comprar a briga: contar uma história que muitos fazem questão de esquecer com honestidade, com iniciantes artistas, honestos e esforçados. Não se viam muletas em suas atuações limpas e desenvoltas. Optaram corretamente por fazer o simples.
Hitler surge, convincente e sedutor. Seu discurso inflamado invadia os ouvidos da já conquistada platéia. Cada vírgula de sua fala é cuidadosamente colocada em cena. Persuasivo. Intolerante. Onipresente.
Controle remoto em cena: Havanir, Silvio Santos, Fátima Bernardes. Um caixa preta no meio das salas de quase todos os lares. Uma bomba que é detonada despercebidamente a cada minuto. Marketing é tudo nos dias atuais. Tio Adolf e seu legado ainda vencem. O que você é não importa. Nunca importou. E o que você vende para os outros pode render bons dividendos. Ou ainda pode bastar que lhe coloquem um rótulo para ser enterrado na vala comum dos "mais fracos". Escolher, selecionar e separar.
A encenação não cai na fácil armadilha do sentimentalismo gratuito. As cenas que retratam as atrocidades cometidas durante o Holocausto foram expostas através de soluções que primaram pelo bom gosto (Ótimas soluções de iluminação, bem como a seqüência de cenas muito bem resolvida), resultado evidente do trabalho de pesquisa do elenco.
Tolerar. Não conter o que não pode e não deve ser contido. Idéias, memórias, ações. Gente não é rótulo. E isso "Holokhauz" expõe sem tomar partido. Mostra que a tolerância pode, e deve, sempre, ser sublimada. Para o nosso bem. Agora e sempre.
Rafael Crispim
14/10/2004
Escrito por Rafael Crispim às 00h23
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Que Ótimo
O Sr. UOL acabou de apagar a resenha que eu fiz do "Holokhauz".
Fico tão feliz em pagar um serviço que funciona tão bem. Vocês nem imaginam.
Escrito por Rafael Crispim às 23h40
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