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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, Portuguese MSN - crispim8@hotmail.com
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Algo a Dizer - O blog do Rafael Crispim |
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Nada
Sejamos sinceros: não aconteceu nada. Continuo desejando seu corpo. Quero me fartar de novo sem usar talheres de prata. A entrada não me saciou. Sou um eterno insatisfeito. Nem se eu a tivesse por mil noites seguidas ficaria feliz. Quero você em ebulição. Eu já tenho o frio. Não me condene se eu for flanar em outro bulevar. A escolha foi sua.
Escrito por Rafael Crispim às 22h42
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Gaiola
Um minuto. Tempo suficiente pra passar muitas coisas pela cabeça. Tempo pra você ir e vir e lembrar que mais uma tentativa não deu certo. Tento desviar minha atenção pra assuntos cotidianos. Mas você é um deles. Não adianta tentar me auto-enganar. Você anda, fala, gesticula, geme, xinga, senta, deita, olha, come, bebe, dorme.
Quando será que você vai fugir daqui?
Escrito por Rafael Crispim às 22h33
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Soneto do Abrigo
Ando pela cidade suja
Metrópole desconstrutora
Dos homens bravos vingadora
Tomara que a dor não surja
Insisto em buscar motivos
Para manter-nos altivos
Perante às mentes vazias
E idéias vadias
Procuro, confuso, um abrigo
Onde possa ter pouca paz
Sem sequer ajuda de amigo
Só pra sentir satisfação
De ter um bocado de paz
Na Terra da Imperfeição
Escrito por Rafael Crispim às 01h46
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Decifra-me
Ela vem a me olhar como se fosse devorar o meu mundo em poucos segundos. Talvez só eu saiba que ela realmente possui tal capacidade, posto que eu a conheço melhor que a mim mesmo. E também é provável que ela jamais tenha pensado em tal fato. A pureza é uma virtude cada vez menos inculcada em nós.
De quando em vez eu a surpreendo com palavras agradáveis escritas em linhas irregulares. Fica encabulada e ao mesmo tempo plena de si, ao ser desperta para algumas coisas que, de tão óbvias, tornam-se esquecíveis. Digo que ela é única pessoa que tem um segredo compartilhado comigo. E que esse pequeno baú nunca será aberto, porque não queremos sentir dor. Porém, para valorizarmos nossos dias de contenteza, optamos por não jogar as chaves da arca fora.
Dia desses veio em mim a estranha vontade de revisitar o conteúdo da caixa. Creio que porque o dia estava nublado eu me contagiei daquele cinza. E pensei que, me preenchendo inteiramente de nuvens, choveria por alguns instantes e depois seria brindado com um belo arco-íris. Logicamente não revelaria a ela tal desejo. Eu poderia ser desestimulado a prosseguir, e ninguém, mas ninguém poderia interromper tal delícia. E, além do mais, meu ego não permitiria que eu compartilhasse a glória com ela. Nem com ela, até porque onde ela se encontrava havia um sol agradável e pessoas que ouviam com respeito e atenção o nada que ela tinha a dizer. Tomara que não tenha dito nada sobre minhas divagações. Não suportaria a idéia de ter de tornar a ver aqueles rostos a condenar minhas pequenas e necessárias obsessões. Ademais, ela não tem o direito. Devo confiar nela, embora o arco-íris não tenha sido refletido na minha retina.
Escrito por Rafael Crispim às 23h13
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continua...
O telefone toca. Adivinha quem é? Aquele filme que eu comentei? Claro. Vem pra cá. Precisamos mesmo conversar. Eu quero falar sobre mim. Já reparou no quanto você é egoísta? Se você fosse tudo que pensa, não teria só a mim como cúmplice. O que está acontecendo? Você nunca me valorizou. Nunca perguntou se eu estava saciado plenamente. Nunca quis saber se a minha dor já tinha passado. Se eu ainda estava precisando de curativos. A sua presença não basta, não. O que eu quero, você nunca vai poder dar pra ninguém. Sabe por quê? Porque você nem faz idéia do que eu e os outros queremos. Não, não é isso. Seu raciocínio é tão óbvio que chega até a me nausear. Nunca fui assim? Engano seu. O que não queremos ver, não vemos, não é mesmo? Fácil assim. Sempre foi e sempre será muito cômodo pra você ter alguém como eu pra confidenciar, te consolar, te contentar, te saciar sempre. Tenta, ao menos uma vez na sua vida vã, ver o mundo com meus olhos. Certamente você seria uma pessoa melhor.
Por que eu ainda te aturo? Porque eu ainda tenho a esperança de sentir você viva, e não esta criatura amorfa que apenas espera os dias passarem numa contagem regressiva a espera do Juízo Final. Pois quem tem juízo não espera por nada disso. Nosso julgamento já está sendo feito, mas pense que o juiz está cá dentro das nossas mentes. E creio que não seja conveniente que você ouça a sua sentença agora. Não compensa? O que não compensa é viver assim, a renunciar de todos os riscos e suas eventuais conseqüências. Eu só quero que você acorde do seu sonho, que na verdade não passa de um pesadelo dos mais tenebrosos. O quê? Se eu usei alguma coisa? Sabe, eu não preciso mais de nenhuma catapulta pra alçar vôo. Já me espatifei muito no chão pra aprender a voar sozinho. A queda é necessária, ponha isso na sua cabeça.
Não sei se é boa idéia você vir aqui hoje. Não, não tô confuso. Quer dizer, a confusão na minha mente é por sua causa. Quase tudo está muito bem resolvido na minha cabeça. Eu só não podia mais me calar diante da sua afasia. E o que mais me choca é que um dia já fui como você. E eu não quero que sua jaula fique fechada por mais tempo.
Escrito por Rafael Crispim às 23h13
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De Passagem
Passou por mim e atraiu minha atenção. Não era a primeira vez que compartilhávamos do mesmo ar, e tampouco desconhecia seu tom suave de voz ou seu andar quase elegante. Mas nessa ocasião ocorreu algo difícil de ponderar e descrever. Senti uma tola alegria por ter descoberto algo tão singular naquela figura cotidiana, de modo que meus pensamentos ficassem tão desorganizados que quase me fizeram perder a pouca razão que penso possuir. Limitei-me a ouvir a música que saía dos sons emitidos pela sua boca , observar a dança de suas mãos e sentir seu perfume que trazia paz. Minha única vontade era de ser totalmente preenchido por ela, pelo menos naquele ínfimo instante. Mas era cedo, muito cedo para arrebentar aquela onda de sensações. Não fazia a mínima idéia de como estaria a praia naquele momento.
Enquanto estava ali, tentei pensar em algo realmente interessante a dizer. Tive o tolo pudor de, em algum momento, delatar o que se passava dentro de mim. Suave paranóia, que se agravou quando ela pareceu enxergar meu íntimo através das minhas retinas. A única saída foi desviar meu olhar, esquivando-me do hipotético ataque. Seria um grande erro.
Mas seria mesmo somente algo que eu mesmo criei? Uma eternidade efêmera se passou, até o momento em que ela, suavemente, tocou meu braço. Adoraria acreditar na idéia de junção dos nossos mundos. Hoje em dia nossos planetas ficam tão afastados uns dos outros, a ponto de sequer consigamos enxergar o mais próximo. É um modo de preservar a falsa paz em nosso espaço, bem como abdicar do risco de desbravar outros lugares. É fácil e cômodo se apegar aos novos odores e sabores. Entrar é como ser o único dono do mundo; viver nele é um orgasmo prolongado. Mas sair dele é quase uma morte.
Resolvi inventar um motivo para sair dali. Sozinho. Ela percebeu de imediato o que ocorrera e abriu um resignado sorriso. Nos abraçamos longa e singularmente. Desertei antes de efetivamente abrir fogo, apesar de querer muito batalhar. Ambos ganharam por um instante e perderam uma possível boa história.
Parti levando comigo somente o temor de tentar me permitir. Tomara que isto um dia passe.
Escrito por Rafael Crispim às 23h10
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Possível Ausência
A partir de hoje volto ao meu trabalho burocrático. Não estranhem se eu passar a postar menos, mas farei possível pra colocar coisas novas todos os dias.
Abraços aos leitores fiéis.
Escrito por Rafael Crispim às 02h42
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Sem Inspiração
Eu vou escrever em bananalês, até mesmo porque é a única língua na qual sei se expressar.
Em meus ébrios passos nesta coisa maluca que é a vida, esta mulher foi a coisa mais irônica que surgiu. É mais letal que uma garrafa de vinho. Muito mais eficiente que um tiro na cabeça. É a personagem invisível do meu circo. O orgasmo pleno nunca alcançado. O xingamento mais doído. O parêntese que nunca fecha. O sol que não surge. O pão que não mordo. A latrina nunca limpa. O cão de estimação. O pensamento recorrente. O livro nunca lido. A lágrima que não cai. O cigarro que acabou. O sorriso que não se abre. A distância intransponível. O dinheiro que não sobra. A folha que não cai. O avião que não retorna. O cheiro que não sinto. Caminho onde não andei. Idéia não concretizada. Chão que não acaba. Mar que não vejo. Ódio que não acaba. Amor...
Escrito por Rafael Crispim às 05h29
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Cazuza Eterno
Down em Mim
Eu não sei o que o meu corpo abriga Nestas noites quentes de verão E nem me importa que mil raios partam Qualquer sentido vago de razão Eu ando tão down Eu ando tão down
Outra vez vou te cantar, vou te gritar Te rebocar do bar E as paredes do meu quarto vão assistir comigo À versão nova de uma velha história E quando o sol vier socar minha cara Com certeza você já foi embora Eu ando tão down Eu ando tão down
Outra vez vou me esquecer Pois nestas horas pega mal sofrer Da privada eu vou dar com a minha cara De panaca pintada no espelho E me lembrar, sorrindo, que o banheiro É a igreja de todos os bêbados Eu ando tão down Eu ando tão down Eu ando tão down Down... down
Escrito por Rafael Crispim às 04h51
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Ouvir Estrelas - Bilac
- Ora (direis) ouvir estrelas! Certo, Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto, Que, para ouví-las, muita vez desperto E abro a janela, pálido de espanto.
E conversamos longo tempo, enquanto A Via Láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto, Ainda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: - Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem quando estão contigo?
E eu vos direi: - Amai para entendê-las, Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas!
Escrito por Rafael Crispim às 19h16
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Tato
Eles são muito bons, sabe?Têm uma compaixão absurda uns pelos outros.E eu até os invejo, eu não sou assim . Sou um pouco ruim até.Eles têm o seu mundo , vivem lá, montam seus castelos de ilusão e moram neles a vida inteira.Falta mundo.Falta um enxergar as pessoas que estão fora do teu castelo.Falta um pouco de maldade, um pouco de raciocinio,um pouco de sensibilidade.Será que há sensibilidade? Talvez tudo não passe de um engano da minha mente, que também mente.
Escrito por Rafael Crispim às 18h16
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Vôo
Estou quase pronto pra abrir meu trem de pouso. Tocar novamente este solo estéril. Ficar no mesmo patamar das gentes nulas. Em cima é muito mais confortável. Tenho a sensação de leveza. Solitário, porém preenchido e sem quaisquer dores de espírito. A calma está no vôo. Mas não é sensato voar com freqüência.
Tô de volta.
Escrito por Rafael Crispim às 17h28
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